🏞️ Trilha de Valor #116 - Projeto Oxigênio
Tempo de leitura: 10 minutos
Olá,
A edição de hoje nasceu como um post que eu não concluía nunca e decidi compartilhar aqui.
Faz um bom tempo que não envio a seção “Sobre gestão” e esse tópico seria uma ótima adição para ela. Mas como tenho criado edições mais sucintas para o final de ano, acho que faz sentido ser enviado como tema da edição.
Espero que seja uma boa leitura.
Abraço,
Ingrid Machado
Nesta edição
🎯 Tema da edição: Projeto Oxigênio
📖 Aprendizado contínuo
📄 Notas quinzenais
💻 Últimos posts do blog
🎯 Tema da edição: Projeto Oxigênio
Seção para falar sobre o tópico principal da edição.
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Ano passado, li o livro “Mais rápido e melhor”, do Charles Duhigg, mesmo autor do “O poder do hábito”. Esse livro fala sobre produtividade e como ela pode ser trabalhada em diferentes áreas. Já no segundo capítulo, o autor apresenta a produtividade em equipes e cita o resultado de dois projetos conduzidos dentro do Google para entender a dinâmica das equipes e como as melhores se organizam.
Já havia ouvido falar desses dois projetos, mas nunca compartilhei eles aqui. Por isso, decidi escrever essa edição compartilhando os resultados que foram gerados a partir de uma base muito grande de dados.
Os projetos que mencionei são o Oxigênio e o Aristóteles. Cada um deles tem um foco diferente dentro do time, mas ambos querem entender o que torna um time eficaz. Nessa edição, vou focar no projeto Oxigênio. Pretendo fazer um resumo sobre o projeto Aristóteles no próximo envio.
O projeto Oxigênio é um estudo que examinou por que alguns gerentes eram mais eficazes do que outros. O foco do estudo era entender se ter um bom gerente era a razão de se ter um bom time.
Inicialmente, foi concluído que equipes com gerentes competentes têm maior satisfação e produtividade do que as outras que não apresentavam essa mesma característica.
Para entender o que define um gerente competente, o estudo foi atrás de mais dados e concluiu que são necessárias 10 habilidades de gestão essenciais:
É um bom coach
Dá autonomia e não microgerencia
Expressa interesse e preocupação pelo sucesso e bem-estar de seus liderados
É orientado para resultados
Se comunica de maneira efetiva
Ajuda no desenvolvimento profissional
Possui uma visão e uma estratégia claras
Possui habilidades técnicas relevantes
Colabora além do time
É um bom tomador de decisões
O livro que mencionei no início lista oito habilidades e o site Google Re:Work apresentava dez. Mas como o site está atualizado e não fala mais sobre todos os itens, vou focar apenas nos 8 primeiros.
É um bom coach
Para ser um bom coach, o líder precisa focar nas necessidades individuais de cada integrante do seu time. Também é necessário considerar que o seu estilo deve ser flexível, já que cada pessoa vai ter uma expectativa de direcionamento diferente. Por exemplo, um liderado pode estar em um momento em que precisa aprender algo e você pode ativamente ensinar. Já outro liderado pode estar em um momento em que é necessário refletir sobre o que já conhece e precisar de apoio para definir próximos passos e onde buscar esse conhecimento.
A pesquisa recomenda algumas práticas para que o gestor se torne um bom coach:
Fazer 1:1’s recorrentes com os membros do time, realmente prestando atenção no que é falado
Prestar atenção ao seu modo de pensar e no modo em que pensa a respeito dos membros do time
Praticar a escuta ativa e fazer perguntas abertas para encorajar a reflexão dos liderados
Fornecer feedback específico sempre que necessário
Equilibrar feedbacks positivos que motivam com feedbacks de melhoria que direcionam para o desenvolvimento pessoal
Entender os pontos positivos de cada integrante do time e o que precisa ser melhorado
O material também sugere um modelo de pauta inicial para os 1:1’s:
Perguntas de verificação e atualização
“Como posso ajudar?”
“O que você tem feito nos últimos dias?”
Impedimentos e problemas
Atualização de objetivos
Tópicos administrativos (férias, reembolsos, etc.)
Próximos passos e acordos
Desenvolvimento profissional
Dá autonomia e não microgerencia
Segundo a pesquisa, gestores efetivos realizam 4 ações para empoderar e desenvolver os seus times:
Não fazem microgerenciamento
Equilibram dar liberdade com estar disponíveis para dar sugestões
Demonstram que confiam no time
São porta-vozes do time dentro da organização
Em resumo, um gestor efetivo é aquele que entende que ele está trabalhando para o time e não que o time está trabalhando para ele.
Expressa interesse e preocupação pelo sucesso e bem-estar de seus liderados
Os gestores devem discutir regularmente com os seus liderados sobre carreira. A frequência pode ser ajustada de acordo com cada membro do time, levando em consideração o momento profissional que cada um está vivendo.
Para discussões sobre carreira, o líder pode se preparar pensando a respeito dos seguintes pontos para cada liderado:
Desempenho e entregas até o momento
No que o liderado é bom em fazer
No que o liderado precisa melhorar
O que a empresa espera de cada funcionário
Como você pode fazer as pessoas ficarem cientes do seu valor
Além de se preocupar com o sucesso dos seus liderados, é importante que o gestor demonstre que realmente se importa com o bem-estar do time. Para isso, é importante conseguir ter empatia e entender como os integrantes do time estão se sentindo.
O Google possui a prática de definir um objetivo simples para aumentar a satisfação do time. Cada integrante define um objetivo saudável e que mantenha o equilíbrio entre as vidas pessoal e profissional, e o gestor ajuda no atingimento desse objetivo.
Exemplos de objetivos sugeridos no Google:
Fazer exercícios durante 1 hora, 3 vezes na semana
Não verificar os e-mails no final de semana
Tirar uma semana de folga do trabalho e se manter realmente distante do trabalho
Outra sugestão é demonstrar e desenvolver compaixão pelo time. Dessa forma, o gestor consegue apoiar o time de forma mais leve.
Algumas dicas para desenvolver compaixão:
Procure semelhanças entre você e os membros do seu time
Seja o exemplo de comportamento atencioso dentro do time
Se interesse verdadeiramente por cada integrante do time
É orientado para resultados
Definir e acompanhar OKRs é uma forma do gestor aumentar o desempenho do time.
Para definir os OKRs, é necessário responder a duas perguntas:
O que queremos alcançar?
Como vamos mensurar o quanto atingimos do objetivo?
Mais detalhes sobre os OKRs podem ser lidos aqui.
O gestor é quem determina as prioridades, define e comunica os objetivos do time e mantém os times motivados em períodos de mudanças. Além disso, o gestor também precisa resolver impedimentos, ter clareza de quem está trabalhando no que e ser um exemplo para o time de como o trabalho pode ser feito.
Se comunica de maneira efetiva
A comunicação não se limita apenas a comunicar resultados. O gerente precisa ter um canal aberto com os integrantes do time para ouvir e compartilhar informações.
Para se comunicar de maneira mais efetiva, o gestor pode escutar o que o outro fala, parafrasear com as suas próprias palavras e repetir o que foi falado. Isso ajuda os membros do time a se sentirem mais compreendidos.
Para conseguir refletir o que foi falado, a recomendação do Google é que você aceite os sentimentos demonstrados durante a fala, esclareça o ponto de vista de quem fala, aceite o que está sendo dito e empatize com a outra pessoa.
Ajuda no desenvolvimento profissional
A pesquisa sugere o uso do modelo GROW para discutir sobre desenvolvimento profissional junto ao time.
GROW é uma sigla para Goal, Reality, Option e Will. Cada um desses passos tem o objetivo de direcionar a discussão e ajudar cada liderado a entender qual é o seu objetivo profissional e como pode atingi-lo.
Para cada etapa, algumas perguntas servem como guia.
Goal (Objetivo)
Identifique no que a pessoa está interessada em se desenvolver profissionalmente:
Como você se vê daqui a 1, 5 e 10 anos?
Se dinheiro ou conhecimento não fossem um problema, que tipo de trabalho gostaria de estar fazendo?
Quais são os seus interesses, valores e motivações?
Reality (Realidade)
Entenda qual é o papel e as habilidades atuais:
Quais são os problemas atuais?
O quão longe você está dos seus objetivos?
Option (Opções)
Pense a respeito das opções disponíveis para diminuir a diferença entre o objetivo e a situação atual:
Como você vai lidar com os obstáculos para atingir os seus objetivos?
Will (Vontade)
Identifique passos factíveis para avançar da situação atual para o objetivo:
Como você vai converter as opções em ações a fim de atingir os seus objetivos?
Possui uma visão e uma estratégia claras
O gestor precisa ter uma visão clara e atrativa, que deve ser compartilhada com o time para que todos consigam avaliar se estão seguindo na direção correta. A visão do time vai representar o motivo de um time existir e o que e como ele está tentando alcançar.
Não é apenas o gestor que precisa saber a direção do time e ele também não deve guardar apenas para si o quão próximo o time está da visão. Com uma visão clara, qualquer decisão pode ser associada à visão no momento de comunicá-la para o time, o que justifica muito bem o caminho a ser seguido.
Os seguintes itens podem ser definidos para definir a visão:
Valores: representam as crenças básicas do time e definem a base do propósito e da missão do time
Propósito: é a razão do time existir e o impacto esperado na empresa
Missão: representa o objetivo a ser alcançado
Estratégia: o que vai ser implementado para atingir a missão, na visão de longo prazo
Metas: estratégias reduzidas para objetivos alcançáveis de curto prazo
Possui habilidades técnicas relevantes
Gestores com conhecimento sobre a área de atuação do time são capazes de apoiar o time tecnicamente e sugerir soluções criativas.
Entender o problema e apoiar na solução de problemas através do seu conhecimento técnico permite que o gestor faça parte de um time que trabalha junto dele. Na verdade, nesse cenário temos o gestor trabalhando para o time ao invés de ter um time que trabalha para o gestor.
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O site do Google Re:Work foi atualizado e muita informação foi removida. Por isso, tive que recuperar muita coisa pela Wayback Machine e nem tudo o que eu mencionei pode estar nas fontes que incluí durante o texto. Artigos mais completos sobre o tema estão trancados em paywalls e o resultado detalhado é difícil de acessar. Mas espero que ter compartilhado contigo pontos importantes dos resultados dessa pesquisa tenha sido útil e torne esse tipo de informação mais acessível para quem se interessa pelo tema.
📖 Aprendizado contínuo
Seção com a minha rotina de aprendizado.
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Quase comprei a oferta vitalícia do MVO porque eu achava que o curso terminava o acesso no mês que vem. Até que decidi entrar em contato e confirmar sobre a certificação, e o meu marido percebeu que o meu acesso vai até abril do ano que vem. Com isso, aquele planejamento que eu compartilhei não vale mais nesse tópico.
Eu vou priorizar o Coursera, que termina no final de novembro, e depois retomo o MVO. Pelo menos o curso do Coursera é mais curto.
🗓️ Planos de estudos
A lista com todos os meus planos de estudos para 2025 pode ser encontrada aqui.
📄 Notas quinzenais
Uma curadoria sobre tudo o que chamou a atenção nos últimos dias. Por William Brendaw.
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Os 4 fatos sobre o “santo millennial” Carlo Acutis: ele até já possui uma igreja no Brasil
Também conhecido como “influenciador de Deus” e “santo padroeiro da Internet”, Carlo Acutis é o primeiro millennial canonizado pelo Vaticano.
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Os últimos dias das redes sociais
Uma análise de como o cansaço atual dos usuários com as redes sociais está afastando as pessoas delas.
Conteúdo em inglês.
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Funcionários estão sendo forçados a se “divertir” no trabalho e é terrível
Da série: vamos forçar algo que não é natural e esperar que as pessoas fiquem motivadas. Dar melhores condições e um ambiente mais confortável para trabalhar, esses “gestores” não querem, né?
Conteúdo em inglês.
O Clube do Livro para Introvertidos é um clube do livro focado em não ficção e com leitura assíncrona. Por apenas R$ 5 mensais, você recebe o acompanhamento da leitura atual e tem acesso a todas as leituras anteriores.
💻 Últimos posts do blog
Seção onde envio as atualizações do blog, sempre no estilo slow blogging.
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Artesanato
Ajustando moldes de calças com o método Top Down Center Out (TDCO)
Felizmente, o meu hiperfoco em costura ainda não se esgotou e agora eu estou estudando um novo método para ajustar calças. O meu objetivo de costurar calças bem ajustadas está se tornando uma lição de humildade, mas espero ter resultados recompensadores no futuro.
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Organização
Depois de descobrir que todo o planejamento de final de ano que eu fiz estava baseado numa data errada, escrevi esse post aleatório relembrando o que eu deveria conferir direito.
Eu ainda estou aguardando a minha rotina voltar ao normal. Estava achando que a essa altura já estaria tudo alinhado, mas vou ter que aguardar até novembro. Mesmo assim, acredito que estou conseguindo manter os meus compromissos e não fracassar em todos os meus planejamentos.
Vamos aguardar o final do ano para ver o que vai dar.
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Por hoje é isso, boa quinzena!






