Olá,
No dia 11/06 eu fiz uma palestra para o METIS (Projeto Mulheres em Exatas e Cibersegurança). Nela, eu falei sobre o penhasco de vidro e o teto de vidro. Caso você se interesse em uma rara aparição minha no YouTube, o vídeo pode ser assistido aqui.
Foi um evento bem legal e que me permitiu falar para um público bem iniciante no mercado de trabalho. Espero que eu tenha conseguido passar os desafios que aguardam quem está iniciando, mas também deixado claro o quanto vale a pena ir atrás do que queremos fazer profissionalmente.
Na edição de hoje, sigo compartilhando as minhas reflexões sobre gestão de Engenharia. Assim como na minha palestra, estou tentando dar uma visão realista da minha atuação porque acredito que pode ajudar quem se interessa pela área.
Boa leitura!
Abraço,
Ingrid Machado
Nesta edição
🎯 Tema da edição: Reflexões sobre a gestão de Engenharia - Parte 2
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🎯 Tema da edição: Reflexões sobre a gestão de Engenharia - Parte 2
Seção para falar sobre o tópico principal da edição.
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Na edição anterior, eu falei sobre o que encontrei na gestão assim que cheguei. Nessa edição, vou falar sobre como está a minha atuação atualmente.
Um contexto importante que eu sempre gosto de passar é que eu tento ser a gestora que eu gostaria de ter me gerenciando. Para atingir esse objetivo, eu me inspiro muito em cada gestor com quem tive contato na minha carreira. Sempre avaliando o que fazia eu gostar mais ou menos da atuação e usando essa percepção como filtro para definir o que eu deveria levar para a minha forma de gerenciar o time.
Os melhores gestores que encontrei sempre se preocupavam muito em dar clareza para o time. Tanto clareza do nosso escopo e responsabilidade quanto clareza de que estava trabalhando para tornar o nosso trabalho mais fácil. Inspirada por isso, eu fui atrás de vagas que focavam em lideranças com foco no time. Mas acabei também me envolvendo muito nos processos e no produto.
Quando iniciei como coordenadora, tive sorte de fazer muitos treinamentos e aprender mais sobre como funciona a gestão dentro de uma empresa. Descobri muitas responsabilidades que eu nunca tive visibilidade e entendi muitos fluxos que ocorrem envolvendo a empresa toda e que eu era a responsável por representar o time.
Eu também cheguei para atuar num time já formado, que precisava de poucas contratações. Isso envolveu conhecer as pessoas, ganhar a confiança delas e depois iniciar um trabalho num ritmo saudável. Começa difícil, leva tempo, mas vale muito a pena construir esse tipo de relacionamento com quem trabalha com a gente.
Dito tudo isso, hoje quero falar sobre como a minha atuação como coordenadora se dividiu entre o time, os processos e o produto.
Atuação para o time
Como já mencionei, o meu foco com a gestão de pessoas é ajudar o time a fazer o melhor trabalho possível. Isso pode ser feito de diversas maneiras, mas eu encontrei algumas formas de fazer esse trabalho que costuma funcionar em todos os lugares que passei.
Para mim, a parte mais importante é ter 1:1’s frequentes com o time. Esse é um ritual que me permite cultivar a confiança e estreitar o relacionamento com todos os integrantes. É uma oportunidade de entender o que motiva cada um, falar sobre problemas que diferentes pessoas veem de maneiras diferentes e conseguir alinhar as expectativas.
Conseguir manter a frequência de 1:1’s a cada 15 dias é a forma mais fácil de me mostrar disponível e acessível. Mesmo que algumas vezes não se tenha um tópico pré-definido para conversar, apenas jogar conversa fora pode ser o suficiente para desfazer tensões ou entender o momento de cada um.
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Outra forma de trabalhar apoiando o time é através do acompanhamento de métricas. Entender o desempenho do time através das métricas ajuda a evitar vieses e a fazer cobranças e reconhecimentos baseados em dados.
Recentemente, tenho feito o acompanhamento de métricas individuais, compartilhando a visão que tenho com todo o time. Essa é uma tentativa de fazer uma gestão compartilhada e não deixar somente comigo a responsabilidade e a preocupação sobre os resultados. Trazer a visibilidade da situação atual de cada um, com feedbacks claros baseados em dados ajuda e muito a aumentar o envolvimento do time na melhoria dos números.
Em todos os lugares que passei, existe o PDI (Plano de Desenvolvimento Individual). O PDI é uma forma de se desenvolver formalmente dentro das empresas, com o apoio das pessoas que fazem parte do time. Como gestora, gosto de apoiar com feedbacks claros para que cada liderado tenha informações suficientes para avaliar o que precisa evoluir.
O trabalho do gestor inclui apoiar na construção do PDI, mas é responsabilidade de cada um definir no que quer trabalhar e como pretende executar e acompanhar o seu plano. Eu foco em fazer a minha parte para que todos tenham os insumos necessários para a construção do plano com uma visão de expectativa por parte da empresa.
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Dependendo da estrutura, eu também foco bastante em blindar o time. Não totalmente, é claro, mas eu acho importante que os papéis sejam respeitados para que o trabalho dê certo. Os desenvolvedores não são os responsáveis pela priorização do backlog, por exemplo. Então, eu não envolvo o time em discussões que envolvam apenas priorização, a não ser que envolva algo técnico.
Quando eu era desenvolvedora, eu sentia muito o custo das interrupções e sei o quanto as pessoas tentam ter as suas demandas atendidas mais rapidamente indo direto em quem executa. Mas o time responde pelos compromissos que faz e todos precisam estar alinhados em relação ao trabalho que é prometido.
Existe muito ruído nos níveis acima e decisões que não são finais não devem chegar ao time antes da confirmação. Se a decisão depende de alguma informação técnica, provavelmente vou escolher uma referência do time para me ajudar no entendimento. Mas mudanças não confirmadas levadas constantemente para o time só ajudam a gerar ansiedade e não deixam o trabalho que a gente já se comprometeu evoluir.
Eu acho bem importante permitir que o time trabalhe confiando que o coordenador está fazendo o que é necessário para atingir os objetivos do time. Ficar interrompendo o time o tempo todo, envolvendo todo mundo em discussões desnecessárias ou mudando o trabalho a ser feito o tempo todo só gera desmotivação e desconfiança. De certa forma, blindar o time e assumir as discussões de mais alto nível é uma boa prática de gestão, principalmente quando estamos liderando pessoas que trabalham com o conhecimento e precisam de tempo para pensar em como resolver os problemas.
Atuação para a evolução de processos
A minha atuação para a evolução dos processos se tornou algo que ganhou protagonismo conforme o processo da empresa ia evoluindo. No início, trabalhávamos com um quadro do Jira com aproximadamente 5 colunas. Atualmente, nós temos muitas colunas extras, com automações compartilhadas e regras de compliance para atender às regras de uma empresa listada na bolsa.
Com as evoluções do processo, foquei em tentar facilitar ao máximo o entendimento do time e a organização das demandas. O processo não pode ser complexo demais a ponto de atrapalhar o andamento das entregas, ao mesmo tempo que não pode ser permissivo demais para que a gente tenha brechas que permitam burlar alguma regra. Equilibrar esses dois pontos é difícil, principalmente quando não estamos envolvidos nas mudanças do fluxo, mas é possível.
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No acompanhamento dos cards do Jira, gosto de focar na organização das informações. Ter templates para cada tipo de card, ter Definition Of Ready (DoR) e Definition of Done (DoD) claros e registrar o andamento do trabalho dentro dos cards já ajuda a ter uma visão bem organizada.
Cards que não atendem ao DoR costumam ser os principais motivos para uma demanda não chegar em produção no menor tempo possível. E saber exatamente o que precisa ser feito evita que o desenvolvimento seja interrompido para tirar dúvidas que poderiam ser esclarecidas desde o início. Gosto de levantar esses pontos no Refinamento junto do time, mas entendo que essa é uma responsabilidade compartilhada. Eu não sou a pessoa que vai desenvolver, então é importante que o time seja proativo e sinalize quando o DoR não é atendido.
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Dentro do possível, trabalho para a evolução contínua do fluxo de desenvolvimento. Gosto de fazer ajustes simples, como notificar etapas importantes no Slack, por exemplo. Muitas vezes, o mínimo de organização e visibilidade já faz os cards avançarem mais rápido no quadro. Além da evolução, também faz parte do meu trabalho reforçar o fluxo com o time. Todos devem ter o conhecimento do fluxo, mas eu sou a responsável por garantir que todos saibam como ele funciona.
Eu também mantenho a documentação sempre atualizada. Além de registrar os acordos atuais, ter uma documentação completa permite que o time tenha uma forma de consultar o funcionamento do fluxo. Assim, eu não fico como única detentora do conhecimento e, na minha ausência, o time tem onde consultar sobre o fluxo de desenvolvimento.
Ter uma documentação completa e atualizada também serve como apoio no onboarding do time. Se você já iniciou em um time sem documentação, deve saber o quanto ter as informações organizadas faz falta quando não existe um integrante do time disponível no momento em que as dúvidas surgem.
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Outro ponto importante para evoluir o processo com a participação do time é a facilitação de Retrospectivas. Eu sempre tento direcionar os problemas para ela, quando é possível esperar, e incentivo o time a anotar as sugestões e discutir as melhorias em grupo. Deixar todas as mudanças para a liderança geralmente causa disfunções no momento da execução. Quem trabalha dentro do fluxo é quem tem a maior capacidade de dizer o que funciona ou não e de entender se uma mudança vai aumentar ou atrapalhar na produtividade.
Atuação para apoiar o desenvolvimento do produto
Eu entendo que costumo apoiar no desenvolvimento do produto mais do que a média porque estou em um time que teve muitas mudanças de PM (Product Manager). Com isso, eu decidi me manter bem próxima do produto para conseguir suprir a demanda do time sempre que necessário. Mas o meu trabalho segue nesse apoio mesmo quando tenho um PM trabalhando dentro do time.
Nesse tema, eu considero bem importante ter clareza do escopo do time, das regras de negócio, das áreas envolvidas e dos papéis e responsabilidades de cada integrante do time. Ter essa clareza evita muitas discussões desnecessárias e direciona os problemas para quem é realmente responsável por eles.
Sabendo desses itens, eu consigo participar das discussões sobre as demandas antes que elas cheguem ao time. Dependendo da demanda, eu consigo apoiar em dúvidas sobre viabilidade técnica e se o DoR está sendo atendido. Quando é algo mais avançado, eu posso sugerir que a gente consulte alguém do time ou inicie a demanda com um Spike para que o time possa entender melhor a demanda antes da fase de desenvolvimento.
Eu também consigo apoiar o time de Produto dando visibilidade sobre a nossa capacidade de assumir compromissos com prazo fixo. Para isso, mantenho um dashboard no Jira que me mostra a quantidade de itens em andamento, quantos itens estão em andamento há mais de 5 dias, a quantidade de itens bloqueados e demais informações que me ajudam a entender a situação atual do quadro.
Também gosto de acompanhar as metas que possuem dashboard disponíveis para visualização. Acompanhar as metas de todo o time é importante para que todos se comprometam com as entregas e não apenas com as métricas de Engenharia. Senão, podemos criar disfunções em que o time de Engenharia tem uma produtividade muito boa, mas que não se traduz em resultados para toda a Squad.
Sempre achei importante dar visibilidade do impacto do trabalho para o time como forma de motivação. Eu mesma tenho que me lembrar às vezes de que estou fazendo algo que impacta de verdade para poder fazer uma avaliação pragmática da minha atuação.
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Na próxima edição, vou fechar as minhas reflexões falando sobre o que eu gostaria de fazer no futuro na gestão de Engenharia.
Esse texto ficou bem maior do que imaginei, mas sigo achando interessante esse exercício de pensar sobre o que eu faço e sobre o que eu acredito que deveria estar fazendo para considerar a minha atuação útil.
📖 Aprendizado contínuo
Seção com a minha rotina de aprendizado.
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🖥️ Comunidade Inaá
Esse é o maior módulo que fiz dentro do curso até agora. Ele inclui aulas de introdução à modelagem e à costura, de tecidos, de uso básico da máquina de costura e de acabamentos. É notável o quanto as professoras são preocupadas com um bom acabamento das peças e ensinam detalhes que estou ansiosa para aplicar nos meus futuros projetos.
🗓️ Planos de estudos
A lista com todos os meus planos de estudos para 2026 pode ser encontrada aqui.
📄 Notas quinzenais
Uma curadoria sobre tudo o que chamou a atenção nos últimos dias. Por William Brendaw.
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Como suprir o déficit de natureza na vida adulta
Especialistas dão dicas para recuperar o vínculo com o meio ambiente, como o banho de floresta, prática japonesa capaz de diminuir o estresse, a ansiedade e baixar a pressão arterial.
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O Google tem um bibliotecário secreto e saiba como usá-lo
Conheça 40 recursos do Google para encontrar exatamente o que você precisa. Esses mecanismos alternativos de pesquisa fazem coisas que o Google comum não faz, além de apresentar a estrutura de referência por baixo de tudo isso.
Conteúdo em inglês.
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Limitando não apenas o tempo de tela, mas o espaço na tela
A internet deixou de ser um lugar que visitamos — agora é um ambiente em que habitamos.
Conteúdo em inglês.
O Clube do Livro para Introvertidos é um clube do livro focado em não ficção e com leitura assíncrona. Por apenas R$ 5 mensais, você recebe o acompanhamento da leitura atual e tem acesso a todas as leituras anteriores.
💻 Últimos posts do blog
Seção onde envio as atualizações do blog, sempre no estilo slow blogging.
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Insights
Finalmente usei a IA para me apoiar em um processo em que estava travada. Sigo com as minhas críticas, mas estou tentando ser um pouco mais flexível. Nesse post, explico o meu raciocínio e em que fase estou com a IA agora.
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Artesanato
Como preparar um arquivo de molde A0 para uso no projetor
Seguindo com a minha organização do processo de modelagem e costura, usei esse post para registrar as mudanças que venho fazendo nos moldes digitais.
Até a próxima edição, eu espero ter algumas novidades para contar sobre os meus projetos e o meu futuro profissional. Além do que já pretendo enviar como tema.
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Por hoje é isso, boa quinzena!
✉️ Edição anterior
🏞️ Trilha de Valor #132 - Reflexões sobre a gestão de Engenharia - Parte 1
Nesta edição, iniciei as minhas reflexões sobre o papel que atuo hoje. Nesse texto, falei mais especificamente sobre o que encontrei quando iniciei na gestão de pessoas.







