Olá,
Com a edição de hoje, eu fecho as minhas reflexões sobre a minha atuação na gestão de Engenharia. Fazer uma retrospectiva da minha trajetória foi um exercício interessante, que me fez reavaliar o que realmente me faz feliz.
Espero que compartilhar a minha experiência e as decisões que tomei na minha carreira ajude quem também se interessa pela gestão.
Boa leitura!
Abraço,
Ingrid Machado
Nesta edição
🎯 Tema da edição: Reflexões sobre a gestão de Engenharia - Parte 3
📚 Clube do livro para introvertidos
📖 Aprendizado contínuo
📄 Notas quinzenais
💻 Últimos posts do blog
🎯 Tema da edição: Reflexões sobre a gestão de Engenharia - Parte 3
Seção para falar sobre o tópico principal da edição.
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Nas edições anteriores, eu compartilhei o meu início na gestão e como tem sido a minha atuação atual. Hoje fecho essa série de reflexões falando sobre o que eu gostaria de fazer no futuro.
Gestão de Engenharia
Durante as minhas reflexões, eu pensei muito se seguiria no papel que tenho agora. Apesar de gostar do que eu faço, fazer um bom trabalho é muito cansativo e, quando o trabalho é bom o suficiente, pode parecer meio ingrato o retorno. O feedback mais forte sempre vem quando os problemas acontecem e não quando a gente evita eles. Só que eu entendi que o problema não está no meu papel, mas sim na forma na qual eu consigo executar ele no momento.
Antes de pensar em desistir da gestão de Engenharia, eu fiz uma bússola vocacional que me passou itens interessantes como pontos positivos:
Gosto de transformar caos em processos
Tenho capacidade de guiar as pessoas
Possuo um perfil de fazer acontecer
Sou uma liderança que considera o impacto humano
Essa mesma bússola me passou os seguintes pontos de atenção:
Preciso ter cuidado com a burocracia excessiva
Ambientes caóticos demais me drenam
Eu tenho fadiga da manutenção
Eu achei algumas conclusões meio óbvias, mas todas foram bem alinhadas com o que eu penso de verdade. Posso não dar o peso necessário para todos os pontos de atenção, mas sei que eles existem e eu só dei a atenção suficiente quando me senti sobrecarregada.
Foi legal ter uma visão externa para guiar as minhas reflexões. Eu tenho uma tendência a suportar as situações por bastante tempo antes de aceitar que preciso fazer algo a respeito. E ler sobre o quanto a burocracia excessiva me desmotiva deixou claro o quanto eu estava lidando com algo que não me faz bem. A questão é que isso não vai mudar, mesmo que eu tente melhorar os processos e me organize para lidar com as travas. A burocracia existe por uma razão e não importa o quanto a organização ajude em algumas partes dela, outras partes não vão mudar e não tem o que fazer.
Analisando o que eu gosto de fazer e o que me desmotiva, eu entendi que na verdade o problema não está no meu papel. Eu gosto de ser coordenadora e acredito que faço o meu trabalho muito bem. Por isso, a mudança não está aqui e pretendo seguir investindo nessa carreira.
Estrutura menor
Eu iniciei a minha jornada como coordenadora em uma empresa pequena e agora estou dentro de uma estrutura enorme. Isso se deu após uma aquisição que foi sendo concluída ao longo desses últimos anos e agora estamos oficialmente dentro da nova estrutura. Com isso, eu voltei ao cenário que trabalhava anteriormente, do qual eu tinha saído por acreditar que não fazia mais sentido.
Pensando nesse movimento, eu entendi que não quero mais estar dentro de uma empresa muito grande. Existem limitações na velocidade da tomada de decisão e da execução de soluções inerentes de estruturas maiores e faz sentido que elas existam. Só não fazem mais sentido para mim. Eu tenho muita saudade de trabalhar com um quadro mais enxuto, com um time mais dono dos processos e com mais influência nas decisões.
Na verdade, eu acho que eu tenho um perfil bem alinhado com startups. Eu valorizo muito a segurança de uma empresa maior, mas existe um valor muito grande na forma de trabalhar de uma empresa menor. Obviamente eu vou sempre focar em fazer a empresa crescer, porque tentar manter esse status de empresa pequena para sempre não é algo saudável. Talvez eu só precise mudar a minha estratégia de carreira. Atualmente, eu sempre foco em entrar num novo emprego com o objetivo de ficar muitos anos no mesmo lugar. Acho que me faria feliz focar em ficar tempo suficiente para ajudar no crescimento, enquanto me sinto útil.
Gestão versus conhecimento técnico
A visão de coordenador de tecnologia vem mudando e existe uma expectativa de mais conhecimento técnico. Eu mesma coordeno um time que desenvolve em Python, mas fui desenvolvedora Java e ainda estou aprendendo Python. Comecei a estudar no ano passado por causa dessa mudança de exigência no papel, mas não tinha me interessado antes porque gosto de trabalhar confiando nas decisões dos especialistas do meu time.
Olhando outras vagas de gestão, eu vejo que é um movimento bem forte do mercado de trabalho. Por isso, pode ser que, mesmo mudando de trabalho, eu precise estudar um pouco mais sobre arquitetura para me manter atualizada, por exemplo. Isso ainda é algo que eu estou avaliando, porque a gestão ainda segue sendo o que mais me atrai. Então, eu quero seguir trabalhando em algo que até possa exigir conhecimento técnico, mas que mantenha o foco principal na gestão das pessoas e dos processos.
Conclusão
Foi levando tudo o que compartilhei aqui em consideração que decidi fazer um sabático. Existem mais alguns motivos pelos quais eu tomei essa decisão, mas o que eu quero para a minha carreira pesou muito para esse resultado.
Eu sou muito apegada ao trabalho. Fico pensando no time, no que vou deixar de contribuir, no que posso gerar de consequências com a minha saída e milhares de outros pontos de atenção. Mas a verdade é que só eu sei o quanto eu quero trabalhar com algo que me traga mais satisfação e que me permita ter o trabalho como apenas uma parte da minha vida. E vai ser muito importante que eu consiga estar descansada para iniciar essa próxima fase.
Eu nunca tirei 30 dias de férias, eu costumava fazer cursos de verão durante a faculdade e eu sinto que tenho uma dificuldade para me desligar do trabalho. A ideia do sabático sempre me pareceu radical, mas, vendo o quanto eu preciso desacelerar, agora parece ser a minha única opção.
Essa minha relação com o trabalho foi ressignificada depois de começar a ler dois livros:
O primeiro livro está sendo lido dentro do Clube do Livro para Introvertidos. Quem participa já vem lendo há um tempo sobre o quanto eu tenho me questionado sobre o trabalho. O livro fala sobre um formato de trabalho que eu acredito muito que funciona e que não consigo seguir atualmente. Acho que é justamente por isso que ando tão cansada, porque a minha produtividade está num ritmo bem acelerado.
O segundo livro foi importante para me mostrar diferentes tipos de trabalho e como a minha relação com ele pode ser mais saudável. Eu não sou o meu trabalho, mas ele toma conta demais do meu dia e, se eu seguir assim, provavelmente eu vou me tornar apenas ele. Ver os exemplos apresentados me deixou bem pensativa, por dois motivos: o quanto eu me identifiquei com alguns deles e o quanto eu me surpreendi com as decisões tomadas por quem decidiu se priorizar.
Os dois livros são leituras muito interessantes e importantes para quem quer fazer uma reflexão sobre a sua própria carreira.
Outro ponto que eu vinha comentando há um tempo na newsletter é o quanto eu passei a me organizar para ficar preparada para qualquer mudança, principalmente na parte financeira. Eu estou fazendo o movimento de iniciar um sabático de maneira bem segura porque a Ingrid do passado sabia que poderia ser necessário estar preparada para esse momento.
Pretendo compartilhar nas próximas edições como eu me organizei para o sabático e um pouco mais sobre como foi o momento em que decidi fazer esse movimento. Mas acho que na edição de hoje eu já compartilhei o suficiente para conseguir fechar as minhas reflexões sobre a gestão de Engenharia.
Espero que tenha feito sentido compartilhar as minhas reflexões e que o meu exemplo te ajude a avaliar a sua própria carreira.
📚 Clube do livro para introvertidos
Um clube para quem quer participar de leituras coletivas, sem necessariamente precisar interagir. Para participar, assine a newsletter do projeto.
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Fazendo um adendo ao texto do tema da edição de hoje, eu cheguei a considerar o The good enough job para ler junto do clube do livro. Mas, como ele não tem tradução para o português, eu li ele sozinha. Até pensei em abrir uma nova edição no clube para livros somente em inglês. Mas acho que ficaria meio confuso ter dois livros sendo lidos ao mesmo tempo.
Estou comentando isso porque gostaria de saber se seria algo interessante para quem participa do clube. Dependendo do retorno, acho que é algo válido a se considerar. O meu inglês melhorou bastante lendo livros internacionais e acho que ampliaria bem as opções de leitura. Mas não gostaria de aumentar o meu trabalho sem o interesse de quem participa.
Se é algo que te interessa, pode ficar à vontade para comentar na publicação, responder ao e-mail ou enviar a sua opinião no formulário de feedback do clube.
📖 Aprendizado contínuo
Seção com a minha rotina de aprendizado.
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Os últimos 15 dias foram bem agitados com as decisões que tive que tomar. Por isso, não tenho grandes atualizações para passar. Espero conseguir voltar ao ritmo de estudos a partir da semana que vem.
A lista com todos os meus planos de estudos para 2026 pode ser encontrada aqui.
📄 Notas quinzenais
Uma curadoria sobre tudo o que chamou a atenção nos últimos dias. Por William Brendaw.
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Como é produzida a grama dos estádios da Copa do Mundo
É muito bom ver que a preparação dos jogos de futebol começa muito antes do que a gente imagina.
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Como impedir que a IA transforme seu cérebro em uma geleca
O GPS diminuiu o nosso senso de direção. Os mecanismos de busca enfraquecem nossa memória. A IA, alertam os cientistas, poderia fazer o mesmo com tudo, desde a criatividade até o pensamento crítico.
Conteúdo em inglês.
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Carinhosamente rastreando o meu marido
Um relato comovente de como a tecnologia pode nos fazer cuidar dos nossos familiares, principalmente quando este familiar tem alguma debilitação como o Alzheimer.
Conteúdo em inglês.
O Clube do Livro para Introvertidos é um clube do livro focado em não ficção e com leitura assíncrona. Por apenas R$ 5 mensais, você recebe o acompanhamento da leitura atual e tem acesso a todas as leituras anteriores.
💻 Últimos posts do blog
Seção onde envio as atualizações do blog, sempre no estilo slow blogging.
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Carreira
Post para divulgar a palestra que fiz no mês passado sobre o penhasco de vidro e o teto de vidro.
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Livros
Checkpoint da lista de leitura 2026
Em comparação com os anos anteriores, eu acabei lendo poucos livros. Mas acho que foram poucos e bons.
As últimas duas semanas foram bem intensas e foi bem difícil seguir a minha rotina. Espero conseguir retomar um pouco da normalidade na próxima semana, para seguir me organizando para colocar em prática o que compartilhei na edição de hoje.
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Por hoje é isso, boa quinzena!
✉️ Edição anterior
🏞️ Trilha de Valor #133 - Reflexões sobre a gestão de Engenharia - Parte 2
Nesta edição, falei sobre a minha atuação como coordenadora de tecnologia.






